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Passando por processo de restauro das fachadas, Palácio da Fazenda completou 95 anos

28 de novembro de 2022 - 08:47 #

Agda Sophia - Texto
Layla Galvão - Fotos

No último domingo (27), o prédio que abriga a sede I da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz-CE) completou 95 anos. Projetado pelo arquiteto José Gonçalves da Justa, o Palácio da Fazenda foi o primeiro bem tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Ceará, em 1982; além de ser o primeiro prédio de concreto armado do Estado. 

A secretária da pasta, Fernanda Pacobahyba, ressalta a importância de comemorar a data e a relevância da edificação. “Esse prédio representa a história da Fazenda e também do Ceará. Ele, o vitral e a torre formam um dos mais belos conjuntos arquitetônicos que temos. Tem sido uma preocupação da Sefaz a preservação desse patrimônio histórico e cultural.”

Desde junho deste ano, a Sefaz Ceará, em parceria com a Superintendência de Obras Públicas (SOP) realiza um processo de restauração das fachadas da sede I. Fernanda Pacobahyba explica que a obra conta com o restauro dos ornatos, cercaduras, esquadrias, reforço estrutural, recuperação da torre e pintura.

O coordenador Administrativo Financeiro da Sefaz, Saulo Toscano, avalia que a obra é muito significativa para a conservação da memória. “Enquanto instituição, é motivo de muito orgulho e felicidade este processo. O edifício se destaca na cidade de Fortaleza e este restauro fará com que ele seja ponto de referência para todas as pessoas que circulam pela região, tanto cearenses quanto turistas. Esperamos que com essa restauração, a gente possa estimular outras iniciativas de resgates artísticos em edificações antigas, pois é uma forma de recuperar nossa história e mantê-la viva não só no nosso imaginário, mas no nosso cotidiano.”

Situado na avenida Alberto Nepomuceno, 2, no Centro de Fortaleza, o prédio funciona como espaço administrativo da Secretaria, além de abrigar o Centro de Memória da Fazenda, equipamento cultural da Sefaz Ceará. 

A historiadora e coordenadora do Núcleo Educativo do Centro de Memória, Thayane Oliveira, aponta que a localização da edificação, próxima ao antigo Porto de Fortaleza, foi pensada de forma estratégica, além de contar com uma torre construída com a finalidade de auxiliar na fiscalização das mercadorias que chegavam à capital cearense.

“Na ocasião da inauguração em 1927, os jornais noticiaram o glamour e a beleza presentes na nova construção que não encontrava paralelo em outros prédios públicos da cidade. A importância arquitetônica e urbana do prédio contribuiu para seu reconhecimento enquanto patrimônio histórico e auxiliou no seu processo de tombamento”, complementa Thayane Oliveira.

Processo de restauração

Durante o trabalho de prospecção que investigou as camadas de tinta usadas na edificação ao longo dos anos, foi descoberto que as cores originais do prédio eram de tons rosa e amarelo. Após decisão da comissão formada por representantes da sociedade civil, de instituições representativas de fazendários, da Sefaz, da SOP e da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), foi elaborada uma nota técnica decidindo que o prédio, até então cinza e branco, retornaria às cores originais.

A restauradora que faz parte da equipe de restauro dos elementos artísticos e arquitetônicos da fachada, Camila Monte, comenta que esse processo buscou valorizar os aspectos originais da edificação. “O restauro é um empreendimento que julgo aventureiro porque nele, por diversas vezes, descobrimos tesouros que estavam escondidos nas camadas de intervenções que o tempo se encarregou de criar. Embora a grande maioria da arquitetura fortalezense seja de referência eclética, assim como o prédio da Sefaz, há algo especial e único nele. Elementos e simbologia que só se encontram aqui, como os leões, as carrancas e a torrinha.”

“Mesmo com a obra ainda não finalizada, mas já em vias, percebe-se o grande interesse da população em querer entender o porquê da mudança de cores. Essa curiosidade e sua sequente explicação abrem muitas portas a um tema ainda muito desconhecido, ou incompreendido, para grande parte da população: a educação patrimonial. Preservar um prédio, assim como sua história e sua função, ajudam a sociedade a construir sua identidade, a compreender seu presente com base no passado”, conclui Camila Monte.

Thayane Oliveira destaca que ao término da obra do restauro das fachadas, o Centro de Memória da Fazenda planeja iniciativas que contribuam para a difusão da temática de preservação. “Todo o processo de restauro do prédio está sendo documentado e, ao final, será mantida uma janela-testemunho com o objetivo de marcar a passagem de outras cores como forma de não apagar a história ali presente. O testemunho será utilizado como ferramenta para a educação patrimonial nas mediações do Centro de Memória e permitirá que a sociedade se aproprie das memórias que envolvem o prédio e a cidade de Fortaleza.”