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Vitral da Sefaz será restaurado por alunos da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho

15 de julho de 2019 - 13:28

O vitral da sede principal da Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) será totalmente restaurado pelos alunos do Curso de Aperfeiçoamento em Conservação e Restauração de Bens Patrimoniais Móveis e Integrados da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho (EAOTPS), instituição vinculada à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) e gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). O início da restauração está previsto para agosto.

O painel foi inaugurado em 1927 com o Palácio da Fazenda (sede da Sefaz). Ele tem seis metros de altura e foi confeccionado pelo italiano Cesare Formenti e seu filho Gastão. Os dois artistas eram donos do Atelier Formenti, um renomado estúdio do início do século 20, localizado no Rio de Janeiro, responsável pela execução dos vitrais da Catedral Metropolitana de Vitória e do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo fluminense.

O servidor fazendário Márcio Amorim, coautor do livro “Sefaz:Tributo à História”, que conta a trajetória da Secretaria, explica os elementos visuais que compõem o vitral. “A produção agrícola está simbolizada pelos ramos de algodão e café, cuja comercialização era objeto de tributação. Na obra, os fios do telégrafo, a locomotiva e as engrenagens industriais procuraram representar atividades ligadas tanto à área de atuação fazendária quanto à modernidade na época em que o prédio foi inaugurado”, diz. Ele relembra ainda que o vitral custou 4:512$000 (quatro contos quinhentos e doze mil réis), o que hoje valeria cerca de R$ 80 mil.

A secretária da Fazenda, Fernanda Pacobahyba, ressalta a importância de se preservar um bem com grande valor histórico e artístico para o Ceará. “Esse vitral faz parte do patrimônio arquitetônico e cultural do nosso Estado. Não podemos deixar essa riqueza acabar”, afirma.

Essa é a segunda vez que o painel passará por reforma. Em 1997, na gestão do secretário da Fazenda Ednilton Soárez, o serviço foi realizado por uma empresa especializada, sob supervisão da Secult.

A restauração durará aproximadamente 50 dias, sendo dividida em quatro etapas. Na primeira, a equipe se dedicará à análise do estado de conservação atual e permanente do vitral, passando para a fase de elaboração do mapa de danos. Na terceira etapa, serão realizados procedimentos de higienização das peças, para depois iniciar a execução dos procedimentos metodológicos de recuperação dos componentes que necessitam de intervenção.

Todo o trabalho será desenvolvido no próprio local onde está instalado o vitral e nos ateliês da Escola. Os alunos selecionados para o projeto já tiveram uma iniciação em outros cursos ofertados na área de conservação e restauração e demonstram grande vocação e habilidade artística. O processo será coordenado por uma equipe experiente em recuperação de vitrais antigos.

Para a Escola, será uma grande satisfação contribuir com a restauração de mais um importante bem patrimonial do nosso Estado e ver nossos alunos colocando em prática todo o conhecimento adquirido, ampliando possibilidades de inserção futura no mercado de trabalho”, ressalta Marley Uchôa, coordenadora da Escola de Artes e Ofícios.