Sefaz-CE promove roda de conversa sobre violência contra a mulher

20 de maio de 2026 - 16:54

Carolina Mesquita - Texto
Bárbara barbosa - Fotos

A Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) convidou, na última quinta-feira (14/05), servidores e colaboradores a refletirem sobre a violência contra a mulher. O momento, promovido no âmbito do XXXI Seminário de Saúde e Qualidade de Vida, contou com a participação da doutora em Sociologia Alba Maria Pinho de Carvalho e da mestranda em Avaliação de Políticas Públicas Cristiane Carneiro Mota.

O secretário executivo de Planejamento e Gestão Interna, Guilherme França, agradeceu a presença dos participantes e palestrantes e destacou o compromisso da Pasta em combater a problemática.

“É um momento muito importante para a Secretaria da Fazenda, no qual estamos fortalecendo toda a rede contra assédio moral, sexual, entre outros, incluindo a Comissão de Ética, a Ouvidoria, a Corregedoria. Ou seja, o órgão está se estruturando, se organizando”, afirmou.

“Para completar essa estrutura, precisamos incentivar homens e mulheres a se engajarem nessa pauta, fortalecer as mulheres, estabelecer esse canal de relacionamento entre a Secretaria e as servidoras e colaboradoras”, acrescentou França.

A coordenadora de Gestão de Pessoas, Isabelle Gomes, reforçou a existência do núcleo de psicossocial, que promove diversas ações no âmbito do Programa de Saúde e Qualidade de Vida.

“O nosso psicossocial tem uma equipe formada por psicólogos e assistentes sociais que realizam atendimento, além de promover a ginástica laboral, o laboratório social. Então, se sintam convidados a participar dessas atividades, a conhecer o trabalho dos colaboradores do psicossocial, que tem o objetivo de melhorar o clima e a saúde organizacional, trazendo mais qualidade para todos no ambiente do trabalho”, destacou.

Reflexões

O evento contou com a palestra com tema “Violência contra as mulheres no Brasil: uma questão histórica e cultural”, conduzida pelas pesquisadoras convidadas. A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutora em Sociologia, Alba Maria Pinho de Carvalho, agradeceu o espaço para discussão.

“Gostaria de reforçar a importância de estarmos aqui, na Sefaz, buscando partilhar reflexões com vocês. Isso é importante, porque encarna a função social da universidade, para além dos muros, que tem que partilhar, divulgar o conhecimento produzido para os diferentes segmentos da sociedade, inclusive para os funcionários públicos, que fazem o Estado e que viabilizam as políticas públicas”, lembrou.

Ela iniciou a discussão reforçando que a violência contra a mulher no Brasil remonta ainda do período colonial e ainda perpetua na história e na sociedade desde então. “De fato, essa é uma temática que atravessa o tempo, não é algo novo. Nós estamos diante de uma questão que atravessa vidas brasileiras e que exige denúncias, vigilância”, reforça.

A professora ainda elencou que a violência contra mulher é uma questão de saúde pública, que constitui uma violência de gênero que atinge de forma predominante as mulheres negras e de classes sociais mais baixas.

Já a pesquisadora Cristiane Carneiro Mota abordou dados que fazem um panorama da violência contra a mulher no Brasil, incluindo os motivos alegados para as vítimas não denunciarem e possíveis motivos dos agressores ao cometerem o crime. A mestrando ainda apresentou as características dos diferentes tipos de violência que as mulheres podem sofrer, como física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e vicária.

Cristiane arrematou o debate ressaltando que, diante de tantos fatores históricos e culturais envolvidos na violência contra a mulher, a legislação sozinha não resolve a problemática, embora esta ainda possa melhorar.

“Para acabar com a violência contra a mulher, só a lei sozinha não funciona, porque temos aqui envolvidas questões patriarcais, questões machistas, entre tantas outras. A legislação e mesmo as pesquisas a respeito precisam ser ampliadas, porque há vários detalhes subjetivos que ainda passam despercebidos”.